CH25090 – A LEITURA COMO ATO POLÍTICO: O ESPAÇO DAS MULHERES NA LITERATURA DA FUVEST

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RESUMO

A lista de leituras obrigatórias para o vestibular da Fuvest de 2026 apresenta uma inovação histórica: pela primeira vez, todas as obras indicadas são de autoria feminina. Essa escolha, inédita, abriu caminho para um debate urgente sobre a valorização da produção literária de mulheres e a representatividade no campo da literatura. Partindo desse marco simbólico, o projeto “Meninas na Ciência”, desenvolvido no Câmpus de São Miguel Paulista, proporá encontros de leitura e discussão, com o objetivo de ampliar o olhar para além das obras, abordando o contexto histórico, social e cultural das autoras. O apagamento, desvalorização e marginalização da produção artística e literária feminina contribuem para a dificuldade, ainda hoje, no reconhecimento das autoras e de suas contribuições para a cultura. Ao reunir exclusivamente escritoras na lista de leitura, a Fuvest propicia uma oportunidade única de reflexão sobre as desigualdades de gênero na história da literatura e de ressignificação do papel das mulheres no campo literário. Os encontros idealizados pelo projeto têm dupla finalidade: apoiar as estudantes na preparação para o vestibular e fomentar o pensamento crítico sobre a presença feminina na literatura. As atividades incluirão debates sobre as obras, análise do contexto de produção e trocas de percepções entre as participantes. No primeiro encontro, serão estudadas as seguintes obras do Romantismo/Pré-Realismo: Opúsculo Humanitário (1853) de Nísia Floresta, Nebulosas (1872) de Narcisa Amália e Memórias de Martha (1899) de Julia Lopes de Almeida. Esse processo de leitura crítica busca não apenas facilitar a compreensão dos livros, mas também valorizar a trajetória de cada autora, compreendendo os desafios enfrentados e as influências exercidas. Assim, o projeto entende a leitura como um ato político, capaz de romper silenciamentos históricos e promover maior equidade na representação cultural. Ao aliar estudo e consciência social, a iniciativa pretende inspirar outros espaços educativos a adotarem práticas semelhantes, contribuindo para a formação de leitoras mais críticas e engajadas. Espera-se que, por meio dessa experiência, as participantes desenvolvam habilidades interpretativas e uma postura reflexiva sobre as relações entre gênero, literatura e sociedade, fortalecendo o reconhecimento da contribuição feminina para a arte e a cultura brasileiras.

PALAVRAS-CHAVE

literatura; representatividade; gênero