CH25103 – “SE UMA PESSOA É GAY E PROCURA JESUS, QUEM SOU EU PARA JULGÁ-LA?”: UMA ANÁLISE DOS AVANÇOS E LIMITAÇÕES DA AÇÃO DO PAPA FRANCISCO ACERCA DA HOMOSSEXUALIDADE.
RESUMO
O papado de Francisco (2013-2025) marcou a Igreja Católica por um discurso pastoral inclusivo, especialmente em relação à homossexualidade, tema historicamente estigmatizado pela doutrina católica, desafiando sua rigidez e promovendo debates sobre inclusão e fé. Este estudo tem como objetivo analisar criticamente as falas de Francisco sobre a homossexualidade, compreendendo seus sentidos, impactos simbólicos e sua capacidade de promover diálogo sem romper com a doutrina. Utilizando a Análise do Discurso de Eni P. Orlandi (2005), foram examinados pronunciamentos, homilias, entrevistas e documentos oficiais do período de 2013 a 2025, coletados em bases jornalísticas como Google Notícias e Instituto Humanitas Unisinos, com palavras-chave “Papa Francisco”, “homossexualidade” e “Igreja Católica”. A pesquisa revelou que as falas de Francisco, como “Se uma pessoa é gay e procura Deus, quem sou eu para julgá-la?” (2013), introduziram uma linguagem afetiva e acolhedora, contrastando com a doutrina do Catecismo, que considera atos homossexuais “intrinsecamente desordenados”. Essas declarações geraram polarizações, evidenciando tensões entre tradição e modernidade, e mobilizaram afetos, ampliando o senso de pertencimento entre fiéis LGBTQIA+. Contudo, a ausência de mudanças doutrinárias limitou transformações estruturais na Igreja, e a transição para o papado de Leão XIV (2025) sugere possíveis descontinuidades. Conclui-se que o discurso de Francisco promoveu diálogo e inclusão, mas enfrentou resistências internas e limitações doutrinárias, sugerindo a necessidade de futuras pesquisas sobre a continuidade dessas mudanças e seus impactos na relação da Igreja com a sociedade contemporânea.
PALAVRAS-CHAVE
papa francisco; homossexualidade; igreja católica