CH25100 – FLUXOS MIGRATÓRIOS NA CIDADE DE SÃO PAULO: ANÁLISE E PERFIL DA MIGRAÇÃO NO MEIO URBANO

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RESUMO

Os processos urbanos estabelecidos nos diferentes territórios, a intensificação da velocidade em que transformações tecnológicas ocorrem e a relevância de cidades de pequeno e médio porte nas dinâmicas regionais alteraram a direção e o sentido de fluxos migratórios (Baeninger, 2014).Essa pesquisa procura analisar a mudança dos fluxos migratórios e traçar o perfil do imigrante presente na cidade de São Paulo, com especial atenção à região leste da metrópole. Durante o século XIX, ainda no período monárquico e recebendo grande incentivo do Estado, imigrantes utilizavam as redes parentais construídas como suporte, em busca de familiares conterrâneos. Eles se aglutinavam em bairros operários e nas moradias mais baratas como os cortiços (Gomes, 2012). Com o Sistema de Registro Nacional Migratório (SISMIGRA), é possível identificar que do ano 2000 até o ano de 2024 foram contabilizados 743.019 imigrantes que possuíam o Registro Nacional do Imigrante (RNM) no estado de São Paulo. A capital paulista recebeu 489.219 desses imigrantes, sendo 135.273 bolivianos, 33.237 chineses, 26.198 haitianos e 21.600 peruanos. O CRAI (Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes) informou que foram realizados 11.631 atendimentos em 2024, sendo sua maioria na região do Centro e na Zona Leste. Dessa forma, encontram-se mudanças e semelhanças nas dinâmicas migratórias do século XX e no século XXI, bairros para onde esses contingentes se direcionam tradicionalmente são ocupados por imigrantes, contudo possuindo contornos trazidos por outras nacionalidades que passam a ocupar esses espaços. Assim, cria-se e recria-se os subalternos, que se encontram em territórios determinados e espaços sociais cercados por estigmas e discriminações, criando novas hierarquias étnico-raciais, as quais são resultado de transformações urbanas e econômicas na cidade, representando uma das novas faces da migração internacional em São Paulo. Esta nova modalidade migratória liga países em desenvolvimento e estabelece novas redes territoriais e constrói espaços migrantes de cultura e de comércio transnacional (Magalhães, Bógus, Baeninger, 2018).

PALAVRAS-CHAVE

migração internacional; redes transnacionais; espaço urbano; cidade de são paulo